Sublimo-me na pura
condensação da tua ausência.
Procuro as palavras certas
para descrever algo que não existe,
e por isso vacilo tanto.
Trôpego, só me saiem estes murmúrios
que ninguém conseguirá ouvir.
Caminho só pela chuva
envolvo-me no chilrear do vento,
enquanto me deixo levar, friamente
para o desencanto furtuito...
Tento voar para lá do pensamento
e render-me à imaginação da alma.
Vejo os gestos emigrarem,
com a esperança na mala
de um dia voltarem a ser gestos
neste corpo inerte e incoerente.